domingo, 29 de janeiro de 2017

Presbiteranismo: O Que Somos e de Onde Viemos



Umas das coisas mais importantes de um grupo  é ter consciência de sua identidade e seus objetivos.

Identidade tem a ver com raízes históricas, as características distintivas.                                        Objetivos são em decorrência disso: Á luz das raízes, das identidade, das convicções básicas, serão estabelecidos os alvos, as prioridades, as maneiras de ser e viver no mundo
   Isto se aplica perfeitamente aos presbiterianos.
Todavia, ocorre que muito presbiterianos ignoram a sua identidade, não sabem exatamente quem são. como indivíduos e como igrejas.

Quem somos 

      A Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB - é uma federação de igrejas que têm em comum uma história, uma forma de governo, uma teologia, bem como uma padrão de culto e de vida comunitária, Historicamente, a IPB pertence à família das Igrejas Reformadas ao redor do mundo, tendo surgido no Brasil em 1859, como fruto do trabalho missionário da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Suas Origens mais remotas encontram-se nas reformas protestantes suíça e escocesa, no século 16, liderados por personagens como Ulrico Zuíngliom João Calvino e João Knox. O Nome "igreja presbiteriana" vem da maneira como a igreja é administrada, ou seja através de "presbíteros"eleitos pelas comunidades locais. Essas comunidades são governadas por um "Conselho" de presbíteros e estes oficias também integram os concílios superiores da igreja, que são os Presbitérios, os Sínodos e o Supremo Concílio.
     Quanto à sua teologia, a Igreja Presbiteriana do Brasil é herdeira do pensamento do reformador João Calvino (1509-1564) e das notáveis formulações confessionais (confissões de fé e catecismo) elaborados pelos reformados no séculos 16 e 17. Dentre estas se destacam os documentos produzidos pela Assembleia de Westminster, reunida em Londres na década de 1640. A Confissão de Fé de Westminster, bem como o seus Catecismo Maior e Breve, são adotados oficialmente pela IPB como os seus símbolos de fé ou padrões doutrinários. 
      Quanto ao Culto, as igrejas presbiterianas procuram obedecer ao chamado "principio regulador". Isso significa que o culto dever ater-se às normas da contidas nas Escrituras, não sendo aceitas as práticas ou não sancionadas explicitamente pela mesma. O culto presbiteriano caracteriza-se por sua ênfase teocêntrica ( a centralidade do Deus triúno) simplicidade, reverência, hinódia com conteúdo bíblico e pregação expositiva. 

Onde Viemos 

Muro dos Reformadores 

O Presbiterianismo derivou da Reforma Protestante do Século 16. Pouco depois que o protestantismo começou na Alemanha, sob a liderança de Martinho Lutero, surgiu uma segunda manifestação do mesmo no Cantão de Zurique, na Suíça, sob a direção de outro ex-sacerdote, Ulrico Zuínglio (1484 - 1531). Para distinguir-se da reforma alemã, esse novo movimento ficou conhecido como Segunda Reforma ou Reforma Suíça. O Entendimento de que a reforma suíça foi mais profunda em sua ruptura com a igreja medieval e em seu retorno às Escrituras, fez com que seus simpatizantes ficassem conhecidos simplesmente como "reformados". Inicialmente, o movimento reformado esteve mais ligado a pessoa de Zuínglio. Porém, com a morte prematura deste, o movimento veio associar-se com seu maior teólogo e articulador, o francês João Calvino (1509-1564). A propósito, os "protestantes", fossem eles luteranos ou reformados, só passaram a ter essa designação a partir da Dieta de Spira, em 1529.
 Portanto, o movimento reformado é o ramo do protestantismo que surgiu na Suíça, no século 16, tendo como lideres originais Ulrico Zuínglio, em Zurique, e João Calvino, em Genebra. Esse movimento veio a caracterizar-se por certas concepções teológicas e formas de organização eclesiásticas que o distinguiram dos outros grupos protestantes (luteranos, anabatistas e anglicanos) a tradição reformada foi preservada e desenvolvida pelos sucessores imediatos e mais remotos dos líderes inicias, tais como João Henrique Bullinger (1504 - 1575), Teodoro Beza (1519-1605), os puritanos ingleses e outros.
     O Termo presbiteriano foi adotado pelos reformados nas Ilhas Britânicas (Escócia, Inglaterra e Irlanda). Isso se deve ao contexto político-religioso em que o protestantismo foi introduzido naquela região, no qual a forma de governo da igreja teve uma importância preponderante. Os reis ingleses e escoceses preferiam o sistema episcopal, ou seja, uma igreja governada  por bispos e arcebispo, o que permitia maior controle da igreja pelo Estado. Já o sistema presbiteriano, isto é, o governo da igreja por presbíteros eleitos pela comunidade e reunidos em concílio, significava um governo mais democrático e autônomo em relação aos governantes civis. Das Ilhas Britânicas, o presbiterianismo foi para os Estados Unidos dali para muitas partes do mundo, inclusive o Brasil.
   Daí resulta outra distinção importante. Todo presbiteriano é, por definição, reformado e, em teoria, calvinista. Porém, nem todos os calvinistas são presbiterianos.

Fonte:

Nascimento,Adão Carlos
   O que todo presbiteriano inteligente deve saber/ Adão Carlos Nascimento, Alderi Souza de Matos - Santa Bárbara d'oeste, SP: Z3 Editora, 2007
 ISBN: 978-85-98486-32-1
  1. Calvinismo.  2.Igreja Presbiteriana do Brasil - História. 3. Presbiterianismo - Brasil    I. Matos, Alderi Souza de. II. Título.
 07-6976